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terça-feira, 19 de julho de 2011

Hospitais



Ontem estive num hospital.

Não como profissional, mas como visita a um doente internado. Deste lado, tudo me parece diferente, agora. Este lado é mais… obscuro!

O funcionamento é anacrónico.

Vemos montes de pessoas, com batas de cores variadas, sempre com ar muito apressado, em direcção a um destino desconhecido, e a desaparecer atrás de portas com dísticos de “acesso reservado”.

Seguranças prepotentes e técnicos de saúde arrogantes. Administrativos atrás de guichés que decidem quando atender. À velocidade que eles próprios definem. E também estes desaparecem, por sua vez, para além das portas, para o conforto de locais de acesso reservado, onde habitam apenas outros seres, seus iguais.

Nas salas de espera há gente com dores. Uns no corpo e outros na alma. Com receio do veredicto. Com medo da incerteza. Só querem ser atendidos por alguém lhes diga que amanhã estão pontos para a vida. Qualquer que ela seja.

As pessoas de bata continuam a passar, com mais ou menos pressa, e sempre com um destino impreciso, indiferentes a tudo o que os rodeia.

Parece que se instalou a ideia de que se parecerem atarefados ganham respeito daqueles que insistem em recorrer aos seus serviços. Ou aos seus superiores, também eles ausentes destas zonas de doentes.

Para eles, gente muito ocupada, os doentes nunca estão satisfeitos. Nas salas de espera, nos corredores ou numa cama de um qualquer serviço, passam a vida a chamar a sua atenção.

Os doentes só querem mesmo aliviar as dores da incerteza. Querem ser esclarecidos por alguém que use uma bata. Não importa a cor. Precisam apenas de falar com um qualquer médico, enfermeira, auxiliar, … alguém que os olhe nos olhos.

Mas eles têm sempre muitas outras coisas que fazer, e não podem parar para falar nem com doentes nem com os seus familiares.

Tinha um grande amigo, da área de gestão em saúde, que definia os hospitais como lugares misteriosos povoados por estranhos seres. Eram médicos que se julgavam deuses, enfermeiros que se julgavam médicos e auxiliares que se julgavam enfermeiros.

Mundo estranho o dos hospitais.

Inexplicavelmente, e mesmo funcionando desta forma anacrónica, continuam a ser os únicos sítios para onde, numa aflição, podemos levar os nossos familiares. Quando eles se encontram mais frágeis, com menos forças, cheios de medo do desconhecido, com os medos próprios de quem está, e sente o corpo doente.

Um dia, as pessoas de bata, também se transtornam em doentes. E podem estar certos que isso um dia acontece. É apenas uma questão de tempo!

… e lá estará uma nova geração de gente de bata, a fazer de conta que estão muito ocupados!

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