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domingo, 26 de junho de 2011

Mensageiro da desgraça


Foi durante muitos anos uma voz incómoda para o poder instalado. Dizia o que pensava e suporta-se numa realidade que evidentemente mais ninguém queria ver. Principalmente quem lucrava com a situação. Nos diversos artigos que o Dr. Medina Carreira foi publicando, mostrava que estava atento e preocupado com o rumo das finanças portuguesas. Mesmo os mais sérios descartavam-no dizendo ser um mensageiro da desgraça.

Até ao último suspiro do anterior governo, ainda havia iluminados, a começar no Sr. ex Primeiro-Ministro, que alardeavam aos quatro ventos que não necessitávamos de recorrer a auxílio externo. Hoje olhamos para a situação real do país e perguntamos como foi possível sermos enganados por quem tinha o dever de nos defender. E tudo fica assim. Ninguém responde pelos erros colossais cometidos. Ninguém é responsabilizado pelas mentiras constantes e ao longo de tantos anos.

Se algum empresário, por má sorte ou nabice, deixa a sua empresa falir, e por azar tem dívidas ao fisco e à segurança social, responde como responsável subsidiário perante o Estado, com os seus bens pessoais, caso a empresa não tenha meios para os suprir.

Compreendo o princípio. Devem ser salvaguardados os direitos de Estado, que somos todos nós, assim como das restantes pessoas singulares e colectivas que são apanhadas no mar revolto das insolvências de empresas.

Por outro lado, em iguais circunstâncias, quem compromete gerações inteiras, por má gestão da coisa pública, perde eleições, vai de férias, e depois retorna geralmente para cargos de grande responsabilidade em organismos nacionais ou internacionais, públicos ou privados.

Quem mais ganhou com isto, com as negociatas feitas à mesa do OGE, de concursos públicos, de PPP e obras de utilidade duvidosa, continuam as suas vidas na paz de Deus e dos homens.

Todos nós, cidadãos, temos de apertar o cinto e pagar mais impostos.

Será que há alguma justiça nisso?!


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