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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Nunca e sempre!


São palavras intensas, definitivas, que implicam actos ou acções sem retorno. No entanto se estas são as palavras menos confiáveis do dicionário, por implicarem algo de definitivo, também não é menos verdade que são apenas palavras.

E valem o que valem. Não têm vida própria.

Precisão sempre de alguém que as profira ou escreva, e outros que as ouçam e lhe dêem uma qualquer interpretação, boa ou má, para que, momentaneamente, ganhem vida.

E isso é que é mau. Quando ganham vida e se comprometem. Nos comprometem.

Em boa verdade são apenas um conjunto de letras e não deixam de ser isso mesmo, até ao momento em que se juntam. E fazem estragos.

Nada na vida é definitivo, e estas palavras representam um fim em si mesmo, ou uma intenção com efeitos definitivos.

Como posso garantir, sem qualquer margem para o erro, que nunca mais vou mentir ou nunca mais me vou comprometer com algo, se sei que posso não vir a cumprir?

Nunca mais dizer nunca ou sempre, é apenas uma promessa. Ou uma intenção. E quer uma quer outra podem ser quebradas. Pelo menos aquelas que são feitas sobre um estado emotivo que nos leve a dizer o que não sentimos, e por consequência, a não sentirmos o que dizemos.

Mas se sempre sou tão radical com o nunca, porque é que não consigo garantir o mesmo com o sempre?

Há quem defenda risca-las do mapa. Retira-las do dicionário. Da vida!

Mas isso é uma tolice porque estas duas palavras são para a vida, como o sal e a pimenta para a comida.

Sem elas, a vida ficaria, seguramente, muito menos excitante!

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